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Concerto (Brazil) "Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” -

Camila Frésca

Concerto (Brazil)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” - Refinement and inventiveness in “Brazilian Landscapes”

Um disco de música instrumental brasileira para a formação de flauta doce, percussão e violão. Assim é Brazilian Landscapes, gravado em dezembro de 2016, em Copenhagen, e que chega agora ao mercado brasileiro. O trabalho reúne Michala Petri, flautista dinamarquesa que possui prestigiada carreira internac-ional como solista e camerista; a percussionista e compositora norte-americana Marilyn Mazur, parceira de grandes nomes do jazz como Miles Davis; e o excelente violonista brasileiro Daniel Murray. A ideia do CD é do também violonista e produtor Lars Hannibal, que conheceu Murray em 2014, em Viena, durante a Classical Next. “Seu toque pessoal e arrojado chamou minha atenção. Imediatamente pensei na possi-bilidade de combinar o violão do Daniel com a maneira de tocar da Michala, além disso complementada com a incrível sensibilidade e inventividade de Marilyn Manzur, que eu sempre admirei em muitos outros trabalhos. Nos anos seguintes nos encontramos algumas vezes na Dinamarca e fomos amadurecendo este projeto tão especial”, escreve ele no livreto que acompanha o disco.
Tem razão Lars Hannibal em se impressionar com Daniel Murray. O jovem violonista, compositor e ar-ranjador é um dos grandes nomes do violão brasileiro de sua geração. Ex-aluno de Edelton Gloeden e Paulo Porto Alegre, aos 15 anos conquistou o segundo lugar no Concours Internacional de Guitarre de Trédrez-Locquemeau (França). Desde então, sua atividade como solista e camerista só tem se incre-mentado. Daniel possui uma carreira intensa e tem um duo com Paulo Porto Alegre, é integrante do Trio Opus 12 e do Quarteto Tau. Da mesma forma, sua curiosidade em explorar diferentes repertórios já o levou a gravar música contemporânea (ele se especializou em técnicas estendidas para o violão), discos autorais e outro dedicado a Tom Jobim, com arranjos próprios. Isso sem falar nos trabalhos de câmara e colaborações com outros artistas. Daniel, aliás, é um ótimo arranjador, como fica evidente neste disco, do qual é autor de todos os arranjos.
“Nas nossas divagações passeamos por muitos lugares procurando peças que tivessem em comum a mesma expressão musical, tanto brasileira como clássica europeia”, afirma Lars Hannibal sobre a pesquisa para seleção do repertório do disco. “Como músico, o que mais me fascinou na música brasilei-ra foi a enorme variedade de ritmos e expressões que você não acha nem no jazz nem na música clássi-ca da Europa”, completa. Nas peças selecionadas para o disco, pode se perceber algumas vertentes da composição brasileira. Uma delas é a de compositores que são ao mesmo tempo mestres do violão bra-sileiro: Paulo Porto Alegre, cuja peça Sonhos, em duas versões, abre e fecha o disco; Paulo Belinatti, com Jongo e Pingue-Pongue; e o próprio Daniel Murray, autor de Cauteloso e de Canção e dança. Há também mestres da música instrumental brasileira: de Hermeto Pascoal é a lúdica São Jorge; de Egberto Gis-monti, um compositor muito apreciado pelos violonistas, temos o frevo Karatê e a linda A fala da paixão; um nome tanto inusitado na seleção é o de Ernesto Nazareth, com a deliciosa Fon-fon numa excelente versão. Há ainda dois dos maiores nomes da música brasileira: na seara popular, Tom Jobim, que com-parece com Olha Maria, em sensível leitura para flauta e violão; e, de Villa-Lobos, temos os Choros nºs 2 e 5. Completa o disco as Oito miniaturas, de Antonio Ribeiro. Se o compositor mineiro não se encaixa ex-atamente em nenhuma das categorias anteriores, sua música dialoga perfeitamente com o restante do repertório. As peças são originais para piano, mas aqui parecem feitas desde sempre para flauta e violão – bem como estão longe de soar um eruditismo acadêmico, apresentando-se em perfeita combinação com as demais obras do disco.
Brazlilian Landscapes é um disco feito com um cuidado evidente, que vai da seleção das peças, passa pela gravação e pelo acabamento gráfico dos materiais, chegando aos arranjos e à interpretação. A so-noridade é bonita e original, e o resultado geral, bastante inventivo. (28/9/2017) Por Camila Frésca
http://concerto.com.br/textos.asp?id=740
English Translation
Refinement and inventiveness in "Brazilian Landscapes" (9/28/2017) By Camila Frésca
A disc of Brazilian instrumental music for the formation of flute, percussion and guitar. So is Brazilian Landscapes, recorded in December 2016, in Copenhagen, and that now comes out on the Brazilian market. The work includes Michala Petri, a Danish flutist who has a prestigious international career as a soloist and chamber musician; the American percussionist and composer Marilyn Mazur, a partner of jazz greats like Miles Davis; and the excellent Brazilian guitarist Daniel Murray. The idea for the CD is also from guitarist and producer Lars Hannibal, who met Murray in 2014 in Vienna during Classical Next. "His bold, personal touch caught my eye. I immediately thought of combining Daniel's guitar with Michala's playing style, complemented by the incredible sensitivity and inventiveness of Marilyn Manzur, whom I have always admired in many other works. In the following years we met a few times in Denmark and we have been maturing this very special project, "he writes in the booklet that accom-panies the album.
Lars Hannibal is right to be impressed with Daniel Murray. The young guitarist, composer and arranger is one of the great names of the Brazilian guitar of his generation. Former student of Edelton Gloeden and Paulo Porto Alegre, at age 15, he won second place at the International Guitar Competition of Trédrez-Locquemeau (France). Since then, his activity as soloist and camerista has only increased. Dan-iel has an intense career and has a duo with Paulo Porto Alegre, is a member of the Trio Opus 12 and the Tau Quartet. Likewise, his curiosity in exploring different repertoires has already led him to record contemporary music (he specialized in extended guitar techniques), record albums and another dedicat-ed to Tom Jobim, with his own arrangements. Not to mention the camera work and collaborations with other artists. Daniel, by the way, is a great arranger, as is evident in this album, of which he is the author of all the arrangements.
"In our ramblings we went through many places looking for pieces that had the same musical expres-sion, both Brazilian and European, in common," says Lars Hannibal on the research for selection of the disc repertoire. "As a musician, what fascinated me most about Brazilian music was the enormous varie-ty of rhythms and expressions that you do not find in jazz or classical music in Europe," he adds. In the pieces selected for the album, one can perceive some aspects of the Brazilian composition. One of them is that of composers who are at the same time masters of the Brazilian guitar: Paulo Porto Alegre, whose piece Dreams, in two versions, opens and closes the disc; Paulo Belinatti, with "Jongo" and "Pingue-Pongue"; and Daniel Murray himself, author of "Cauteloso" and "Canção e Dança". There are also masters of Brazilian instrumental music: Hermeto Pascoal, "São Jorge"; Egberto Gismonti, a com-poser very appreciated by the guitarists, "frevo", "Karate" and beautiful "A Fala da Paixão"T; a name so unusual in the selection is Ernesto Nazareth, with the delicious "Fon-fon" in an excellent version. There are also two of the biggest names in Brazilian music: Tom Jobim, who attends Olha Maria, in a sensitive reading for flute and guitar; and from Villa-Lobos, we have Choros Nos. 2 and 5. Complete the disc the Eight miniatures, by Antonio Ribeiro. If the composer from Minas does not fit exactly into any of the previous categories, his music dialogues perfectly with the rest of the repertoire. The pieces are orig-inal for piano, but here they seem to have been made for flute and guitar ever since - as well as being far from sounding scholarly scholarship, presenting itself in perfect combination with the other works of the disc. Brazililian Landscapes is an album made with an obvious care, that goes from the selection of the pieces, through the recording and the graphic finishing of the materials, arriving at the arrangements and the interpretation. The sound is beautiful and original, and the overall the result is quite inventive. (9/28/2017) By Camila Frésca
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